Trégua temporária até 1º de fevereiro busca criar condições para negociações de paz entre Rússia e Ucrânia

Por Karol Peralta
O Kremlin informou nesta sexta-feira (30) que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, concordou com um pedido pessoal do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para suspender os ataques a Kiev até 1º de fevereiro. Segundo o governo russo, a medida tem como objetivo criar “condições favoráveis” para negociações de paz no conflito com a Ucrânia.
A informação foi confirmada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, após declarações feitas por Trump na quinta-feira (29). Na ocasião, o presidente norte-americano afirmou que Putin teria concordado com uma trégua de uma semana, mencionando o frio intenso como possível motivação, mas sem especificar o prazo final do cessar-fogo.
Questionado por jornalistas, Peskov evitou relacionar a decisão às condições climáticas e reforçou que a iniciativa partiu de um pedido direto de Trump.
“O presidente Trump realmente fez um pedido pessoal ao presidente Putin para se abster de atacar Kiev na semana até 1º de fevereiro, a fim de criar condições favoráveis para as negociações”, afirmou.
Ao ser questionado se Putin havia aceitado a solicitação, o porta-voz respondeu: “Sim, claro, houve um pedido pessoal do presidente Trump”.
Alcance da trégua ainda gera dúvidas
Não ficou claro se o termo “Kiev” foi utilizado pelo Kremlin para se referir exclusivamente à capital ucraniana ou ao território do país como um todo. Nas últimas semanas, a cidade enfrentou ataques à infraestrutura energética, que deixaram centenas de apartamentos sem aquecimento e energia elétrica durante o inverno.
Autoridades ucranianas afirmaram que responderão militarmente caso a Rússia retome os ataques. Kiev também voltou a cobrar que Moscou abandone as ofensivas contra a infraestrutura energética, consideradas estratégicas para a sobrevivência da população civil durante o período de frio extremo.
Conflito segue sem acordo definitivo
A guerra entre Rússia e Ucrânia teve início em fevereiro de 2022, quando Moscou enviou dezenas de milhares de soldados ao território ucraniano. Desde então, o conflito tem provocado milhares de mortes, deslocamento de civis e impactos econômicos globais, além de sucessivas tentativas diplomáticas sem acordo duradouro.
Analistas internacionais avaliam que a suspensão temporária dos ataques pode abrir espaço para novas rodadas de diálogo, mas ressaltam que cessares-fogo pontuais já ocorreram anteriormente sem resultar em avanços concretos nas negociações de paz.



